Uma investigação da Polícia Federal aponta a existência de um esquema de desvio de recursos públicos da saúde no Ceará operado por meio de uma rede com mais de 80 empresas fictícias. A apuração, detalhada em decisão da Justiça Federal, indica que a cúpula de uma cooperativa de saúde mantinha uma estrutura para gerir valores em espécie e repassar pagamentos.

A apuração da Operação Coaptação aponta que a engrenagem funcionava como uma fábrica de cadastros nacionais de pessoa jurídica voltada para a criação, emissão de notas fiscais fraudulentas e posterior descarte das firmas. A investigação mira contratos públicos que somam cerca de um bilhão e oitocentos milhões de reais e apura crimes como peculato, corrupção, organização criminosa, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Os investigadores identificaram que apenas quatro das mais de oitenta empresas de fachada foram utilizadas para escoar cerca de vinte milhões de reais em um período curto. Entre as firmas apontadas no esquema estão a Blue Stel Reformas e Manutenção, a New Consultoria e Assessoria, a L&R Assessoria e Consultoria, e a Serf Serviços de Locação de Veículos em Geral.

Diante do ritmo identificado, os investigadores estimam que a rede completa de empresas fantasmas possa ter drenado quantias expressivas dos recursos destinados à saúde pública nos últimos anos. Cinco pessoas ligadas à cooperativa foram alvos de prisões no decorrer das diligências policiais realizadas em municípios cearenses e na Paraíba.

Para ocultar os rastros dos valores públicos e realizar pagamentos, o grupo adotava a movimentação massiva de recursos em espécie. A decisão judicial aponta que a cooperativa mantinha em sua sede um setor interno equipado com máquinas de contagem de cédulas para gerir o dinheiro vivo.

As apurações apontam um funcionário como o responsável direto por gerenciar o local e receber as remessas de saques. O caso ganhou novos desdobramentos quando um operador financeiro foi interceptado por policiais com centenas de milhares de reais sacados da conta de uma empresa fictícia a caminho da sede da instituição.

Dados da Controladoria-Geral da União mostram que a entidade investigada recebeu expressivos volumes financeiros em contratos firmados com o Governo do Ceará e prefeituras, incluindo a capital, com parcelas significativas oriundas de verbas federais da saúde. A cooperativa afirmou anteriormente que a operação envolve outras empresas do setor e que é necessário preservar uma instituição que presta serviços essenciais.