Dois advogados foram presos na manhã desta sexta-feira (9) durante uma operação deflagrada no Ceará pelo Ministério Público do Estado, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas. A ação, batizada de Operação Elo Oculto, tem como foco principal desarticular uma rede de comunicação ilícita utilizada para manter contato entre uma liderança de facção criminosa, que está custodiada, e integrantes do grupo no meio externo. As diligências visam cumprir um total de oito mandados judiciais expedidos para a ofensiva, englobando quatro ordens de prisão e quatro de busca e apreensão.
As ordens judiciais e as buscas estão sendo cumpridas em quatro municípios cearenses, abrangendo as cidades de Caucaia, Fortaleza, Itaitinga e São Gonçalo do Amarante. A execução das medidas conta com o apoio estratégico de agentes da Polícia Civil do Estado do Ceará e da Secretaria da Administração Penitenciária. Até o momento, a identidade dos advogados alvo das prisões não foi divulgada pelas autoridades responsáveis pela investigação.
De acordo com as apurações conduzidas pelo órgão ministerial, a liderança apontada no centro das articulações é Geovane Diogo Silva Oliveira, detento que já se encontrava recolhido ao sistema prisional. A companheira dele, que estava em liberdade, também figura como alvo da operação policial sob a suspeita de atuar na intermediação de contatos. Conforme a investigação, os profissionais do direito suspeitos estariam se valendo do exercício da profissão para cometer crimes e facilitar a comunicação com o ambiente externo.
O promotor de Justiça Jairo Pequeno Neto explicou que o esquema contava com o encaminhamento sistemático de mensagens, orientações e informações de dentro dos estabelecimentos prisionais para a rua. A estrutura permitia a manutenção de articulações mesmo com a liderança isolada na custódia do Estado. O objetivo principal da ofensiva é justamente interromper esse fluxo irregular de dados e impedir que o sistema prisional seja convertido em polo de comando para atividades ilícitas.
Historicamente, o detento apontado como principal alvo da investigação é associado pelas autoridades a episódios de violência urbana no passado, incluindo registros relacionados a conflitos entre grupos rivais na capital. As investigações coordenadas pelo Ministério Público continuam em andamento para aprofundar a apuração dos fatos, com o intuito de identificar e localizar eventuais outros participantes envolvidos na rede criminosa.






