O estado do Ceará contabilizou 29 episódios de violência política entre 28 de outubro de 2024 e 15 de agosto de 2026, posicionando-se na terceira colocação entre as unidades federativas com o maior volume de registros no país. No mesmo intervalo, o Brasil somou 354 ocorrências, conforme os dados divulgados pelas organizações Terra de Direitos e Justiça Global.
O levantamento integra a quarta edição da pesquisa sobre Violência Política e Eleitoral no Brasil e aponta que o recorte temporal analisado configurou o período mais violento da série histórica pré-eleitoral nos últimos dez anos. Em comparativo com o estudo anterior, que contabilizou 299 casos entre novembro de 2022 e agosto de 2024, houve um crescimento de 18,4% nas ocorrências.
A média nacional apurada foi de um episódio de violência política a cada 44 horas no país. O estudo destaca que, mesmo ao longo de 2025, ano que não contou com disputas eleitorais, foram registrados 225 casos, evidenciando que as ocorrências ultrapassam os limites tradicionais da campanha nas ruas.
No cenário de abrangência nacional, as mulheres representaram 50,6% das vítimas de violência política, mesmo ocupando cerca de 18% das cadeiras legislativas. O grupo contemplado na estatística abrange mulheres cisgêneras, transexuais e travestis.
A distribuição dos ataques variou conforme o gênero no país, com os homens alcançando 77,2% das vítimas de agressões físicas, atentados e crimes contra a vida. Por outro lado, as mulheres lideraram as estatísticas de ameaças e ofensas verbais, somando 58,3% dessas ocorrências.
A pesquisa também identificou dezenas de episódios específicos de violência direcionada, incluindo ameaças de violência sexual e comentários sobre o corpo e a aparência de agentes públicas. Entre o total de vítimas mapeadas no território nacional, dezenas eram mulheres negras.
No entanto, o levantamento divulgado não detalha se as mulheres também formam a maioria entre as vítimas dos 29 episódios computados especificamente no estado do Ceará. Para esse dimensionamento regional, o detalhamento exige a separação dos dados por gênero no âmbito local.
Outro aspecto abordado pelo estudo é o baixo índice de responsabilização dos autores dos ataques em âmbito nacional. Do total de 354 episódios, grande parte foi alvo de denúncia formal ou pública, mas apenas uma parcela restrita contava com investigação policial ou judicial em andamento.
Diante do cenário, um número ainda menor de casos resultou em punição efetiva dos responsáveis, apontando um distanciamento entre as denúncias registradas e a efetivação da justiça. As entidades responsáveis pelo monitoramento apontam a necessidade de ampliar a proteção contínua para lideranças políticas e parlamentares durante todo o ano.






