O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (8) que um eventual corte de gastos nas contas públicas sugerido pelo senador Flávio Bolsonaro vai pesar sobretudo para a parcela mais pobre da população. A declaração integra um ajuste na comunicação da campanha desde o término do primeiro turno, quando o atual presidente obteve 45% dos votos válidos, ante 47% de seu principal adversário. A estratégia orienta o chefe do Executivo a simplificar o discurso e alertar sobre possíveis restrições em programas sociais.

Durante ato político em Brasília, o presidente declarou ao lado de aliados que propostas de contenção de despesas significam retirar recursos da população trabalhadora. A discussão sobre o tema ganhou repercussão após a circulação de um projeto que ventila um corte de R$ 200 bilhões em despesas para o período de transição de governo, assunto que teria sido apresentado a investidores em São Paulo.

Em contraponto às críticas, o titular do Planalto relembrou que encontrou limitações orçamentárias ao assumir a administração federal anterior, o que motivou a aprovação de créditos extraordinários fora do teto de gastos vigente à época. Segundo o presidente, medidas de ajuste fiscal historicamente penalizam as camadas de menor renda em vez de atingir os setores mais ricos da sociedade.

Além do debate econômico, o governo articula a votação da proposta que extingue a escala de trabalho 6x1. A liderança governista no Congresso informou que há um requerimento pronto para estabelecer um calendário especial que permita apreciar a matéria antes do encerramento do segundo turno, embora a oposição busque seguir o rito regimental padrão.

Questionado sobre a primeira pesquisa Datafolha para o segundo turno, que aponta o adversário com 52% dos votos válidos frente aos seus 48%, o presidente minimizou os números. Ele declarou que sua prioridade é intensificar o ritmo da campanha nos dias restantes para conquistar a maioria dos votos necessários para a vitória eleitoral.