O Ministério da Saúde iniciou uma campanha nacional voltada para a prevenção aos danos causados pelas apostas online e pelo uso problemático de jogos. A iniciativa busca alertar a população sobre como a ludopatia pode afetar negativamente a saúde mental, a estabilidade financeira, a rotina diária e as relações familiares e sociais dos indivíduos.

O material informativo da campanha foi disponibilizado nos canais oficiais da pasta na internet e nas redes sociais. A mobilização reúne conteúdos orientativos, incluindo depoimentos e uma ferramenta de autoteste para que os cidadãos possam identificar possíveis riscos associados aos jogos de azar.

O teste disponibilizado possui respostas anônimas que não ficam armazenadas nos sistemas. Conforme o resultado obtido na avaliação, a plataforma direciona o usuário para caminhos de orientação e cuidado, como o serviço de teleatendimento do Meu SUS Digital, a Plataforma Centralizada de Autoexclusão do Ministério da Fazenda e os postos presenciais da rede pública.

Especialistas reforçam que o transtorno do jogo é formalmente reconhecido como um comportamento aditivo por manuais médicos e classificações internacionais de saúde. Entre os principais sinais de alerta estão a prática de mentir ou esconder gastos e tempo dedicados às apostas, a tentativa constante de recuperar valores perdidos e o comprometimento de economias ou contas básicas.

Outros indícios de que o comportamento se tornou problemático envolvem alterações significativas no sono, no humor e na rotina, o abandono de atividades importantes e o surgimento de conflitos no ambiente familiar. O SUS oferece atendimento remoto gratuito e sigiloso para esses casos desde março, voltado tanto para os apostadores quanto para familiares e integrantes da rede de apoio.

O acesso ao suporte digital pode ser feito por meio do aplicativo ou da versão web do Meu SUS Digital utilizando a conta integrada do governo federal. Na seção de miniapps da plataforma, o usuário encontra a opção específica para avaliação de riscos e, quando identificado risco moderado ou elevado, é realizado o encaminhamento direto para a modalidade de teleatendimento.

O volume de atendimentos remotos passou por expansão ao longo do ano, saltando da capacidade inicial de 600 consultas mensais para até 100 mil por mês. Os encontros virtuais ocorrem por meio de videochamadas conduzidas por profissionais especializados, com possibilidade de continuidade no formato remoto ou direcionamento para a Rede de Atenção Psicossocial.

Na rede física de atendimento, as unidades básicas de saúde funcionam como a porta de entrada inicial para o acolhimento dos pacientes. Caso seja avaliada a necessidade, o cidadão pode ser encaminhado para os Centros de Atenção Psicossocial e demais estruturas especializadas da rede pública.

A campanha também divulga recomendações práticas para a prevenção, como a redução da exposição a conteúdos de apostas nas redes sociais. Os usuários são orientados a deixar de seguir perfis divulgadores, evitar interações com esse tipo de publicação e utilizar as ferramentas das plataformas para sinalizar desinteresse pelo tema.

Como medida complementar, a iniciativa destaca a Plataforma Centralizada de Autoexclusão do Ministério da Fazenda. A ferramenta possibilita que o próprio cidadão solicite de forma voluntária o bloqueio do uso do seu CPF nas plataformas de apostas autorizadas.