O Ceará ocupa a terceira posição entre os estados brasileiros com maior número de casos de violência política registrados entre o final de outubro de 2024 e o mês de agosto de 2026. O dado integra um estudo preliminar divulgado pelas organizações Terra de Direitos e Justiça Global, que aponta 29 episódios mapeados no território cearense durante o período analisado. Além da posição de destaque no ranking nacional, o levantamento revela que o estado concentra a maior quantidade de ocorrências com indícios de ligação com o crime organizado e facções criminosas.
No cenário nacional, o Brasil contabilizou 354 episódios de violência política no intervalo avaliado, o que representa uma média de um caso a cada 44 horas. O estado de São Paulo lidera a estatística com 67 ocorrências, seguido pelo Paraná, com 31, e pelo Ceará, com 29 registros. As entidades responsáveis pela pesquisa ressaltam que os dados referentes estritamente à campanha eleitoral de 2026 serão divulgados em momento posterior.
Um dos recortes que mais chamam a atenção na pesquisa é a conexão entre a violência política e a atuação de organizações criminosas. Dos 26 episódios identificados em todo o país com indícios desse tipo de envolvimento, 12 ocorreram no Ceará, colocando o estado isolado no topo desse indicador específico. Na sequência aparecem o Rio de Janeiro, com quatro ocorrências, e São Paulo, com três casos registrados.
Segundo o levantamento, os principais alvos dessas ações no estado foram prefeituras e órgãos vinculados às administrações municipais. Entre as situações relatadas estão episódios em municípios como Cariré, onde prefeito, vice-prefeito e uma vereadora foram ameaçados simultaneamente. Em Meruoca e Jaguaribara, autoridades da mesma gestão também foram alvos de ameaças em um mesmo período.
O estudo demonstra ainda que a violência política persiste mesmo fora dos períodos de disputa eleitoral, como evidenciado pelo registro de 225 casos em 2025 em todo o país. O levantamento indica que quase a totalidade das vítimas, cerca de 96%, já ocupava cargos públicos ou mandatos eletivos, com forte concentração na política municipal, atingindo sobretudo prefeitos e vereadores.
As mulheres representam mais da metade das vítimas de violência política no período, somando 50,6% dos episódios, apesar de ocuparem uma parcela minoritária das cadeiras legislativas. No Ceará, o estudo cita nominalmente a vereadora de Fortaleza Adriana Gerônimo, do PSOL, como alvo de uma ameaça atribuída a um grupo de perfil neonazista ou supremacista.
Entre as formas de violência mapeadas, a ameaça foi a ocorrência mais frequente, seguida por ofensas, agressões físicas, atentados e assassinatos. O levantamento aponta baixa taxa de responsabilização jurídica, com um percentual reduzido de casos que resultaram em punição efetiva dos autores, reforçando a exigência de mecanismos permanentes de proteção a agentes públicos.






