A Polícia Civil do Ceará concluiu o inquérito policial sobre a perda da vida do empresário João Victor Batista Pinheiro, de 45 anos, e indiciou três pessoas por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. O caso ocorreu no dia 18 de agosto de 2026, em uma clínica de estética localizada no bairro Aldeota, em Fortaleza, durante a realização de um procedimento estético. O relatório final da autoridade policial foi remetido à Justiça para os trâmites legais pertinentes.

Os investigados que agora respondem ao indiciamento são a empresária, cirurgiã orofacial e proprietária da clínica Michele França Soares Silvestre, a anestesista Walédya Araújo Lopes Melo e o cirurgião-dentista Heraldo Simões Ferreira Filho. O inquérito busca apurar as responsabilidades pelo óbito do paciente, que era cliente regular do estabelecimento e passou mal no local.

Conforme o documento da Perícia Forense do Ceará, o empresário daria início a um procedimento de lifting na região das têmporas e recebeu sedação. Logo após o início do processo anestésico, o paciente apresentou um quadro de depressão respiratória, com histórico de hipertensão, e começou a espumar pela boca.

Diante da intercorrência médica, a equipe presente realizou manobras para ressuscitar o paciente, contabilizando sete ciclos na tentativa de reverter o quadro, além do uso de medicações e desfibrilação com o aparelho DEA. Apesar dos esforços empregados pela equipe de atendimento, o empresário não resistiu e veio a óbito no local.

A defesa da proprietária da clínica informou que o relatório policial está sendo analisado junto à equipe jurídica e ressaltou que o indiciamento constitui uma etapa inicial da investigação que ainda será submetida ao Ministério Público. A defesa da médica anestesista declarou que se manifestará nos autos no momento adequado, sustentando lisura na atuação profissional. O cirurgião-dentista não retornou aos contatos da reportagem até o fechamento da apuração.

O representante legal da família do empresário afirmou que o relatório policial confirma os argumentos sustentados desde o início das apurações sobre falhas no atendimento e na estrutura de suporte. O Conselho Regional de Odontologia do Ceará informou que a realização de lifting por profissionais da odontologia é regulamentada, pontuando que eventuais apurações éticas correm sob sigilo.