A Polícia Civil do Estado do Ceará concluiu o inquérito policial referente à perda da vida do empresário João Victor Batista Pinheiro, de 45 anos, registrada em agosto deste ano em Fortaleza. Três profissionais de saúde que atuaram diretamente em um procedimento estético na clínica Espaço Michele França, localizada no bairro Meireles, foram formalmente indiciados pelo crime de homicídio culposo.

O relatório policial aponta a responsabilização de Michele França Soares Silvestre, Waledya Araujo Lopes Melo e Heraldo Simões Ferreira Filho. A investigação foi encerrada e remetida ao Poder Judiciário para análise e providências cabíveis pelas instâncias competentes.

De acordo com os levantamentos da investigação, o paciente seria submetido a quatro intervenções estéticas em sequência na clínica, incluindo lifting temporal, FaceTite, Morpheus 8 e laser de CO2. A sedação para a realização conjunta dos procedimentos foi administrada pela médica anestesiologista, enquanto os demais profissionais atuavam nos atendimentos cirúrgicos.

O inquérito policial destaca que a equipe médica e odontológica adotou conduta negligente ao não exigir avaliações cardíacas prévias do paciente antes da aplicação da sedação profunda. Os registros indicam que a vítima apresentava histórico de hipertensão e níveis elevados de testosterona, além de não ter realizado exames complementares específicos solicitados para o caso.

A apuração também apontou irregularidades na estrutura física do estabelecimento de saúde, que funcionava sem desfibrilador externo automático no local do atendimento de urgência. A falta de equipamentos adequados e a ausência de triagem cardiológica rigorosa foram apontadas como fatores determinantes para o agravamento do quadro clínico.

Após a administração das medicações anestésicas, o empresário apresentou depressão respiratória seguida de complicações pulmonares e parada cardiorrespiratória. As tentativas de reanimação cardiopulmonar duraram mais de uma hora, mas o óbito foi constatado no local pelas equipes de socorro.

A defesa de Michele França informou que a equipe jurídica está analisando o relatório policial e destacou que o procedimento principal não chegou a ser concluído devido à intercorrência imediata após a sedação. A profissional ressaltou que colaborou com as autoridades e que apresentará os esclarecimentos necessários nas instâncias judiciais.