Câncer do Colo do Útero: Rastreamento Atinge Apenas 36% do Público
Brasil registra alta incidência da doença, com diagnóstico tardio em 60% dos casos.
Reprodução/Divulgação
Apenas 36% das mulheres no Brasil realizam o rastreamento do câncer do colo do útero, um índice bem abaixo da meta de 70% estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O dado foi divulgado durante o 4º Fórum de Políticas Públicas para o Câncer Ginecológico, realizado na Câmara dos Deputados.
O modelo atual de rastreamento, focado no exame Papanicolau, tem se mostrado insuficiente, levando a exames repetidos para algumas e falta de acompanhamento para outras. Anualmente, o Brasil registra 19,3 mil novos casos e 7.209 mortes pela doença, sendo que 60% dos diagnósticos ocorrem em estágio avançado.
Para combater essa realidade, foi lançado o Radar Nacional da Eliminação do Câncer do Colo do Útero. Esta ferramenta irá monitorar anualmente dados de prevenção e tratamento, desde a vacinação contra o HPV até o acesso à assistência médica, identificando falhas e avanços nos serviços.
A implantação do teste de DNA-HPV no SUS, mais sensível que o Papanicolau, também está em andamento, permitindo ampliar o intervalo entre os exames para até cinco anos em casos negativos. No entanto, a implementação ainda é desigual pelo país.
Na vacinação contra o HPV, o Brasil também está abaixo da meta de 90% de cobertura entre meninas até 15 anos, com dados parciais de 2026 indicando cerca de 80% para meninas e 72% para meninos. A adoção de dose única em 2024 alterou os critérios de imunização.