Mercado de brinquedos movimenta bilhões no Brasil
Fenômeno 'Kidult' impulsiona vendas e colecionadores buscam itens raros em Fortaleza.
Reprodução/Divulgação
O mercado de brinquedos no Brasil tem se expandido para além do público infantil, atraindo adultos que buscam conexões emocionais com o passado. Em 2025, o setor movimentou R$ 10,3 bilhões, com o fenômeno "Kidult" representando 15% desse valor, injetando R$ 1,5 bilhão na economia nacional, segundo a Abrinq.
O Ceará ocupa a 14ª posição no ranking nacional de vendas, com 1,53% do total em 2025, e é o terceiro maior mercado na região Nordeste. Em Fortaleza, a tendência se reflete em lojas de nicho e na organização de colecionadores.
Negócios como o Cantinho do Colecionador, no Shopping Benfica, reúnem milhares de itens que remetem à infância. A comunidade de colecionadores se articula em grupos de redes sociais e feiras tradicionais, buscando peças que podem custar até R$ 7 mil, como um brinquedo "Recruta Zero" da Estrela, nunca usado e na caixa original.
Itens como o boneco Fofão, o console Atari 2600 e o Castelo de Grayskull, do He-Man, são exemplos da alta procura e valorização no mercado de nostalgia. Brinquedos originais dos anos 80, como o Castelo de Grayskull, podem variar de R$ 400 a R$ 5.200, enquanto relançamentos buscam atender tanto novos públicos quanto fãs antigos.
Especialistas apontam que o consumo de itens do passado funciona como um porto seguro emocional em tempos de incerteza. Para alguns, é a realização de desejos de infância; para outros, uma forma de resgatar memórias e construir identidade.
O mercado da nostalgia, embora afetivo, também se mostra um desafio financeiro para o varejo e a indústria nacional.