Ilha das Cobras: Menos predadores moldam evolução da jararaca-ilhoa, revela Butantan
Pesquisa com cobras de massinha desvenda adaptações da espécie endêmica e hipervenenosa, ameaçada pela biopirataria.
Um estudo inovador conduzido pelo Instituto Butantan revela que a Jararaca-ilhoa (Bothrops insularis), serpente endêmica da Ilha da Queimada Grande, no litoral paulista, prospera em um ambiente com significativamente menos predadores em comparação com suas parentes continentais. A pesquisa, que utilizou modelos de cobras feitos de massinha de modelar, quantificou essa diferença, registrando apenas 1% de ataques na ilha contra 12% no continente. Essa ausência de ameaças contribuiu diretamente para a evolução singular da espécie.
A menor pressão predatória permitiu que a jararaca-ilhoa desenvolvesse características únicas. Sua coloração amarela e vistosa, que seria uma desvantagem em outros locais, tornou-se viável, e a espécie se adaptou a caçar aves, com 80% de sua dieta baseada em pássaros. Para isso, evoluiu com pele mais fina, cauda maior para locomoção arbórea e um coração mais próximo à cabeça. Além disso, seu veneno se tornou excepcionalmente potente, capaz de imobilizar presas aviárias rapidamente, sendo considerada uma das cobras mais peçonhentas do mundo.
A Ilha da Queimada Grande, classificada como Área de Relevante Interesse Ecológico, é a segunda com maior densidade populacional de serpentes globalmente, abrigando cerca de 3 mil indivíduos em apenas 0,43 km². Apesar de sua notória adaptabilidade, a jararaca-ilhoa está ameaçada pela biopirataria, que remove espécimes da ilha. O Instituto Butantan mantém um projeto de conservação, com indivíduos em cativeiro, visando proteger a espécie da extinção. A singularidade do local chegou a atrair a atenção do youtuber MrBeast, que a elegeu como um dos lugares mais mortais do planeta.
Fonte: G1